|
Sobre DENGUE
Aspectos Gerais
Agente Etiológico
O vírus da dengue é um arbovírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae. São conhecidos quatro sorotipos: Den - 1, Den - 2, Den - 3 e Den - 4..
Vetores Hospedeiros
Os vetores são mosquitos do gênero Aedes, popularmente conhecido como pernilongo da dengue. Nas Américas (Norte, Central e do Sul), o vírus da dengue persiste na natureza mediante o ciclo de transmissão homem - Aedes aegypti - homem.
O Aedes albopictus é o vetor de manutenção da dengue na Ásia, mas, até o momento, não foi associado à transmissão da doença nas Américas.
Modo de Transmissão
A transmissão se faz pela picada da fêmea do mosquito. De 8 a 12 dias após ter sugado, o mosquito está apto a transmitir a doença. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções para uma pessoa sadia, nem através da água ou alimento.
Período de Incubação
O período de incubação da doença varia de 3 a 15 dias sendo, em média, de 5 a 6.
Período de Transmissibilidade
A transmissão ocorre enquanto houver presença de vírus no sangue do homem (período de viremia). Esse período começa um dia antes do aparecimento da febre e vai até o 6º dia da doença.
Suscetibilidade e Imunidade
A suscetibilidade ao vírus da dengue é universal. A imunidade é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga). Entretanto, a imunidade por outro sorotipo (cruzada ou heteróloga) existe de 3 a 6 meses. A suscetibilidade em relação à Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) não está totalmente esclarecida. Três teorias mais conhecidas tentam explicar sua ocorrência:
relaciona o aparecimento de FHD à virulência da cepa infectante, de modo que as formas mais graves sejam resultantes de cepas extremamente virulentas;
na teoria de Halstead, a FHD se relaciona com infecções seqüenciais por diferentes sorotipos do vírus da dengue, num período de 3 meses a 5 anos. Nesta teoria, a resposta imunológica na segunda infecção é exacerbada, o que resulta numa forma mais grave da doença;
uma hipótese integral de multicausalidade tem sido proposta por autores cubanos, segundo a qual se aliam fatores de risco às teorias de Halstead e da virulência da cepa. A interação desses fatores de risco promoveria condições para a ocorrência da FHD:
Fatores individuais: menores de 15 anos e lactentes, adultos do sexo feminino, raça branca, bom estado nutricional, presença de doenças crônicas (diabetes, asma brônquica, anemia falciforme), preexistência de anticorpos e intensidade da resposta imune anterior.
Fatores virais: virulência da cepa circulante e sorotipo viral que esteja circulando no momento.
Fatores epidemiológicos: existência de população suscetível, presença de vetor eficiente, alta densidade vetorial, intervalo de tempo calculado entre 3 meses e 5 anos entre duas infecções por sorotipos diferentes, seqüência das infecções (Den-2 secundário aos outros sorotipos) e ampla circulação de vírus.
Embora não se saiba qual o sorotipo mais patogênico, tem-se observado que as manifestações hemorrágicas mais graves estão associados ao sorotipo Den-2. A suscetibilidade individual parece influenciar a ocorrência de FHD. Além disso, a intensidade da transmissão do vírus da dengue e a circulação simultânea de vários sorotipos também têm sido considerados fatores de risco.
Aspectos Clínicos
A infecção pelo vírus da dengue causa uma doença cujo espectro inclui desde infecções inaparentes até quadros de hemorragia e choque, podendo evoluir para a morte.
Dengue Clássica
O quadro clínico é muito variável. A primeira manifestação é a febre alta (39º a 40º), de início abrupto, seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, dor retroorbital, náuseas, vômitos, exantema, prurido cutâneo. Hepatomegalia dolorosa pode ocorrer, ocasionalmente, desde o aparecimento da febre. Alguns aspectos clínicos dependem, com freqüência, da idade do paciente. A dor abdominal generalizada pode ocorrer, principalmente, nas crianças, que, caracteristicamente, apresentam um quadro de manifestações inespecíficas com destaque para a dor de garganta, diarréia e rubor facial. Os adultos podem apresentar pequenas manifestações hemorrágicas, como petéquias, epistaxe, gengivorragia, sangramento gastrointestinal, hematúria e metrorragia. A presença de manifestações hemorrágicas não é exclusiva da FHD. É importante diferenciar os casos de dengue clássico com manifestações hemorrágicas dos casos de FHD. A doença tem uma duração de cinco a sete dias. Com o desaparecimento da febre, há regressão dos sinais e sintomas, podendo ainda persistir a fadiga.
Febre Hemorrágica da Dengue (FHD)
Os sintomas são semelhantes aos da dengue clássica, porém, evoluem rapidamente para manifestações hemorrágicas. Os casos típicos de FHD são caracterizados por febre alta, fenômenos hemorrágicos, hepatomegalia e insuficiência circulatória. Um achado laboratorial importante é a trombocitopenia com hemoconcentração concomitante. A principal característica fisiopatológica associada ao grau de severidade da FHD é a efusão do plasma, que se manifesta através de valores crescentes do hematócrito e da hemoconcentração.
Entre as manifestações hemorrágicas, a mais comumente encontrada é a Prova do Laço Positiva.
Nos casos graves de FHD, o choque geralmente ocorre entre o 3º e 7º dia da doença, na maioria vezes, precedido por dores abdominais. O choque é decorrente do aumento da permeabilidade vascular, seguida de hemoconcentração e falência circulatória. É de curta duração e pode levar ao óbito em 12 a 24 horas ou à recuperação rápida após terapia anti-choque apropriada.
Classificação da FHD definido pela OMS, quanto ao grau de gravidade:
 Grau I - Febre + Prova do laço positiva
 Grau II - grau I + pequenas hemorragias espontâneas
 Grau III - Presença de Choque, pulso rápido e fraco, PA baixa
 Grau IV - Choque profundo, ausência de PA e pulso imperceptível
Diagnóstico Laboratorial
Exames Específicos
Isolamento
É o método mais específico para determinação do arbovírus responsável pela infecção. A coleta de amostra deverá ser feita em condições de assepsia o mais precocemente possível, no máximo, até o quinto dia do início dos sintomas.
Sorologia
Existem várias técnicas que podem ser utilizadas no diagnóstico sorológico do vírus da dengue, incluindo os de inibição de hemaglutinação (HI), fixação de complemento (FC), neutralização (N) e Elisa de captura de IgM (MAC-Elisa,Umelisa). Os três primeiros exigem amostras pareadas de soro de casos suspeitos e a confirmação é demorada. Os testes de captura de IgM são os mais úteis para vigilância, porque requer, na maioria dos casos, somente uma amostra de soro, e os exames são simples e rápidos. Baseiam-se na detecção de anticorpos IgM específicos aos quatro sorotipos do vírus da dengue. O anticorpo IgM anti-Dengue se desenvolve rapidamente, podendo ser detectado após o quinto dia do início da doença, tanto nas primoinfecções quanto nas reinfecções.
Coleta e Conservação das Amostras
A confiabilidade dos resultados dos testes laboratoriais depende do cuidado durante a coleta, manuseio, acondicionamento e envio de amostra. Durante a coleta, devem ser retirados 10 ml (mínimo 6 a 8 ml) de sangue (sem anticoagulante) e colocados em tubo estéril e fechado. Depois da retração do coágulo, centrifugar a 1.500 rpm por 10 minutos, para separar o soro. O soro deverá ser conservado a temperaturas máximas de -70ºC (para isolamento do vírus) e -20º c (para detecção de anticorpos). O transporte da amostra para o laboratório deve ser feito em isopor com gelo. Quando o tempo de transporte for maior que 24 horas, enviar a amostra congelada em isopor bem fechado e com gelo reciclável. Os tubos ou frascos encaminhados ao laboratório deverão ter rótulo com nome completo do paciente e data da coleta da amostra, preenchido a lápis para evitar que se torne ilegível ao contado com a água.
Exames Inespecíficos
Dengue Clássica:
Hemograma: a leucopenia é achado usual, embora possa ocorrer leucocitose. Pode estar presente linfocitose com atipia linfocitária. A trombocitopenia é observada ocasionalmente.
Febre Hemorrágica da Dengue - FHD:
Hemograma: a contagem de leucócitos é variável, podendo ocorrer desde leucopenia até leucocitose leve. A linfocitose com atipia linfocitária é um achado comum. Destacam-se a concentração de hematócrito e a trombocitopenia (contagem de plaquetas abaixo de 100.000/mm3).
Coagulograma: aumento nos tempos de protrombina, tromboplastina parcial e trombina. Diminuição de fibrinogênio, protombina, fator VIII, fator XII, antitrombina e a -antiplasmina.
Bioquímica: diminuição da albumina no sangue, albuminúria e discreto aumento dos testes de função hepática: aminotransferase aspartato sérica (conhecida anteriormente por transaminase glutâmico-oxalacética - TGO) e aminotransferase alanina sérica (conhecida anteriormente por transaminase glutâmico pirúvica - TGP).
Diagnóstico Diferencial
Dengue Clássica
Considerando que a dengue tem amplo aspecto clínico, as principais doenças a serem consideradas no diagnóstico diferencial são: gripe, rubéola, sarampo e outras infeções virais, bacterianas e exantemáticas. É raro o aparecimento de sintomas respiratórios (coriza, tosse, dor de garganta). Se estiverem presentes sem exantema, a suspeita é de gripe ou resfriado.
A febre com exantema, sintomas respiratórios e a presença de linfonodos palpáveis, principalmente os retro-cervicais, faz pensar mais em rubéola.
A febre com Koplik, conjuntivite, coriza intensa, tosse, exantema sequencial (1º dia, dor de cabeça; 2º dia, parte superior do tronco e membros superiores; 3º dia, tronco inferior e membros inferiores), faz pensar mais em Sarampo.
A febre com exantema (pele em lixa), amigdalite purulenta, língua saburrosa pode ser Escarlatina.
No exantema máculo-papuloso com evolução para hemorrágico, pensar nas ricketsioses (epidemiologia positiva para carrapatos na Febre Maculosa) e na meningococcemia.
Deve-se pesquisar os sinais clássicos da síndrome de irritação meníngea (rigidez de nuca, os sinais de Kernig e Brudzinski), pois a febre alta, a cefaléia e vômitos são sintomas comuns aos dois quadros, meningites e dengue.
Febre Hemorrágica da Dengue (FHD)
No início da fase febril, o diagnóstico diferencial deve ser feito com outras infecções virais e bacterianas e, a partir do terceiro ou quarto dia, com choque endotóxico decorrente de infecção bacteriana ou meningococcemia. As doenças a serem consideradas são: leptospirose, febre amarela, malária, hepatitite infecciosa, influenza, bem como outras febres hemorrágicas transmitidas por mosquitos ou carrapatos.
Os exames específicos para estas doenças devem ser solicitados a critério médico.
==================================================================================
A Portaria nº 114 de 25 de janeiro de 1996, assinada pelo Ministro da Saúde Adib Jatene, inclui a Síndrome do Dengue (Dengue Clássico e Febre Hemorrágica do Dengue) na lista de agravos de notificação compulsória, em todo território nacional, bem como apresenta a definição de caso suspeito.
Suspeita de Dengue com manifestação hemorrágica é agravo de notificação de 24 hs.
A NOTIFICAÇÃO DE CASOS SUSPEITOS DEVE SER FEITA AO SERVIÇO DE EPIDEMIOLOGIA.
Definição de Caso:
1- Caso Suspeito de Dengue Clássico (D.C):
Todo paciente que apresente doença febril aguda com duração máxima de 7 dias, acompanhada de pelo menos de dois dos seguintes sintomas:
- cefaléia
- dor retro-orbitária
- mialgia
- artralgia
- prostração
- exantema
2 - Caso Confirmado de Dengue Clássico :
Definição acima com confirmação laboratorial através de isolamento do vírus ou da sorologia positiva.
As crianças costumam apresentar quadro clínico menos florido que dos adultos sendo por vezes classificados de “virose exantemática”ou sómente de “virose”, quando não acompanhado de exantema. Frequentemente o diagnóstico é dado pelo fato de morarem com adultos que estão apresentando quadro de dengue.
3 - Caso Suspeito de Febre Hemorrágica do Dengue (F.H.D.):
Todo caso que apresente o mesmo quadro descrito acima (Dengue Clássico) acompanhado de manifestações hemorrágicas espontâneas como petéquias, gengivorragia, melena, hematêmese ou outras, e não espontânea que é a positividade da prova do laço*.
Para todo paciente que apresentar o quadro descrito deverão ser solicitadas pelo menos 2 verificações de hematócrito e contagem de plaquetas em dias seguidos.
Prova do Laço - Verificar a pressão arterial, calcular a média entre as pressões máxima e mínima. Inflar o manguito até a pressão média, deixar por 5 minutos, retirar o manguito e verificar a presença de petéquias na dobra do cotovelo. O teste é considerado positivo quando surgem 20 ou mais petéquias por polpa digital.
Este teste só tem sentido se realizado no contexto da consulta médica e se o paciente não tem nenhuma hemorragia espontânea; sua finalidade é identificar se o paciente apresenta potencialidade para desenvolver forma grave da doença.
O teste positivo não é patognomônico de dengue nem de forma grave da doença e, tão pouco, um resultado negativo significa que o paciente não possa evoluir para forma grave .
4 - Caso Confirmado de Febre Hemorrágica do Dengue:
Quadro clínico descrito no item 1 acompanhado de tendências hemorrágicas, evidenciadas por prova do laço positiva ou hemorragia espontânea, descrita no item 3, e trombocitopenia menor ou igual a 100.000/mm3, incremento do hematócrito basal em 20%** sobre a média por idade, sexo e população ou queda em 20% após o tratamento e confirmação laboratorial através de isolamento viral ou sorologia positiva.
** para efeito prático, Hto> ou = 45% no homem, Hto > ou = 40% na mulher e Hto > ou =38% na criança.
Classificação da Febre Hemorrágica do Dengue:
a) Grau I - febre acompanhada de sintomas inespecíficos sem manifestações hemorrágicas espontâneas.
b) Grau II - febre acompanhada de sintomas inespecíficos com manifestações hemorrágicas espontâneas.
c) Grau III - febre acompanhada de sintomas inespecíficos com manifestações hemorrágicas espontâneas e colapso circulatório (hipotensão, taquicardia).
d) Grau IV - choque.
5 - Caso de Síndrome do Choque do Dengue:
Situação descrita no item 4, com evidências de choque***.
*** O choque no dengue é do tipo hipovolêmico, e acontece por um aumento da permeabilidade dos vasos levando a uma perda dramática para o terceiro espaço.
Importante lembrar que a apresentação clínica do dengue é dinâmica, podendo o paciente evoluir para gravidade rapidamente, embora a instalação da SINDROME DE CHOQUE seja mais freqüente entre o 3º e 5º dia de evolução da doença, período em que a febre desaparece, frequentemente confundida com melhora do quadro e se acompanhe de aparecimento de sinais e sintomas de alerta:
1- DOR ABDOMINAL INTENSA E CONTINUA*
2- SANGRAMENTO IMPORTANTE (ATENÇÃO AO APARECIMENTO DE HEMATÊMESE)
3- HEPATOMEGALIA DOLOROSA
4- HIPOTENSÃO POSTURAL*
5- HIPOTENSÃO ARTERIAL*
6- PA CONVERGENTE
7- EXTREMIDADES FRIAS
8- CIANOSE
9- DIMINUIÇÃO DA DIURESE
10- AGITAÇÃO
11- LETARGIA
12- PULSO RÁPIDO E FINO
13- DIMINUIÇÃO REPENTINA DA TEMPERATURA CORPÓREA ASSOCIADA A SUDORESE PROFUNDA, TAQUICARDIA, LIPOTÍNIA E AUMENTO REPENTINO DO VALOR DO HEMATÓCRITO
14- VÔMITOS PERSISTENTES*
*frequentemente observados entre os casos que evoluiram para óbito.
Obs: É importante instruir, tanto o paciente como sua família sobre a possibilidade de aparecimento dos sinais de alerta e da nescessidade de se buscar imediatamente atendimento médico hopitalar de emergência.
Recomenda-se que os casos de dengue hemorrágico ou aqueles que, mesmo não classificados como tal, estejam evoluindo de forma não favorável que sejam examinados diariamente, sempre se pesquisando sinais de alerta.
Laboratório Clínico:
O dengue é uma virose que costuma cursar com leucopenia e linfocitose, no entanto em alguns casos pode-se observar leucocitose, o que pode levar a uma confusão diagnóstica com um quadro bacteriano.
Este ano de 2001 temos observado um aumento de casos com um acentuado desvio para esquerda , com número de bastões elevado, que no dengue é um sinal de mal prognóstico.
Alguns casos podem apresentar alteração das provas de função hepática, isto porque o vírus do dengue pode causar hepatite.
Mesmo não apresentando nenhum sinal de alerta é recomendado a internação dos pacientes com plaquetometria < 50.000.
Diagnóstico Laboratorial:
1 - Isolamento viral: deve ser coletado de 5 a 8 ml de sangue até o quinto dia do início dos sintomas ( período de viremia). Centrifugar o material, enviar o soro em frasco estéril sem anticoagulante e em gelo, no mesmo dia para o Laboratório Noel Nutels, Rua do Resende 118, Centro, acompanhado de ficha de solicitação de exame específica do dengue (anexo).
Se o material não puder ser encaminhado no mesmo dia, não congelar, guardar em geladeira por no máximo 48 hs.
O isolamento negativo não significa caso descartado, pois os vírus tipo 1 e 2 vem circulando na cidade há muitos anos, aumentando o número de casos secundários que produzem um número maior de anticorpos neutralizantes, estes anticorpos atuam sobre o vírus, destruindo-o antes da inoculação para cultura.
Mesmo assim este exame deve ser realizado no maior número de casos suspeitos, pois a vigilância virológica tem por finalidade monitorar os tipos de vírus circulantes e estar atenta a possibilidade de introdução de novos tipos, como ocorreu no estado do Rio de Janeiro nos municípios do Rio, Nova Iguaçu e Queimados, onde o vírus tipo 3 foi isolado pela primeira vez no Brasil.
Sorologia MAC ELISA: o soro enviado para isolamento viral, em sendo negativo é, encaminhado para a realização da sorologia que pode estar negativa nos primeiros cinco dias do início dos sintomas; também nas infecções secundárias a produção de IgM é bem menor ou por vezes ausente. Daí a importância de se pedir sempre uma segunda amostra.
A produção dos anticorpos tipo IgM começa a aumentar a partir do quinto dia do início dos sintomas sendo máxima entre o 11º e o 25º dia e começa a desaparecer a partir do 30º dia do início dos sintomas.
A produção de IgG começa a partir do quarto dia da doença ou antes se for uma infecção secundária ou por outro flavivírus.
O Laboratório Noel Nutels é o laboratório de referência para realização dos exames; a amostra deve ser acompanhada de formulário específico (anexo), o solicitante deve buscar o resultado. O material é recebido 24hs por dia, todos os dias da semana.
LACENN- Rua do Resende 118
Diagnóstico Laboratorial nos Óbitos Suspeitos:
A letalidade do dengue é baixa se comparada a outras doenças como a Doença Meningocócica, no entanto, justamente pela baixa freqüência é fundamental a comprovação etiológica.
Além da coleta de sangue para isolamento viral e sorologia deve-se realizar estudo anatomopatológico.
O ideal seria a realização de necropsia; infelizmente a realização do procedimento está cada vez mais rara na rede de atendimento. Como alternativa colher material por viscerótomo ou punção aspirativa, visando obter a maior quantidade possível de tecido.
O procedimento deve ser feito tão logo seja constatado o óbito e fragmentos de fígado, pulmão, baço, gânglios, timo e cérebro devem ser retirados. Em caso de punção aspirativa colher preferencialmente fragmentos de fígado e baço usando agulha longa e de grosso calibre.
O material deve ser colocado em recipiente estéril, será destinado a isolamento viral.
Outra amostra deve ser colocada em frasco com formalina tamponada, mantendo em temperatura ambiente, será destinada a histopatologia.
Identificar os recipientes com etiqueta contendo:
-nome completo do paciente
-data da coleta
-natureza da amostra
As amostras devem ser acompanhadas de informação clínica detalhada do paciente, data de início dos sintomas, resultados de exames complementares, história de antecedente vacinal para febre amarela, data do agravamento da doença e natureza da amostra.
Identificação da Unidade de Saúde requisitante e assinatura e carimbo do médico responsável.
Enviar o material ao Laboratório de Referência, acondicionado em gelo (material para isolamento viral) e em temperatura ambiente ( material para histopatologia) no máximo em 48 horas.
Notificar o óbito para a Gerência de Vigilância Epidemiológica-Coordenação de Programas de Epidemiologia.- tel: 2503-2247 ou 2503-2268
Tratamento:
Não existe tratamento específico, o objetivo principal é minimizar os sintomas e prevenir complicações. O tratamento do dengue é baseado na hidratação ou oral, quando o paciente
está sendo acompanhado ambulatorialmente, ou intra-venoso quando em internações
de curta duração, ou em casos graves.
NECESSIDADE HÍDRICA DIÁRIA EM ml/kg
1 ano
|
2 anos
|
5 anos
|
10 anos
|
adulto
|
120
|
100
|
80
|
60
|
30
|
VOLUME DE LÍQUIDOS (ML/KG/24HS) A SEREM PRESCRITOS
pesos em Kg
|
primeiro dia
|
segundo dia
|
terceiro dia
|
< 7
|
220
|
165
|
132
|
07 - 11
|
165
|
132
|
88
|
12 - 18
|
132
|
88
|
88
|
> 18
|
88
|
88
|
88
|
adultos
|
88
|
70
|
50
|
HIDRATAÇÃO PARA PACIENTES CO CHOQUE:
1-Etapa rápida:
2-Etapa lenta
10 a 20 ml/kg/hora (adulto) 1/3 do volume em 4 horas
20 a 40 ml/kg/2h (criança) 1/3 do volume em 8 horas
1/3 do volume em 12 horas
Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato
Expansor Plasmático
Reposição de Bicarbonato
Tratamento Sintomático:
1- febre e dor :
Paracetamol ou Dipirona doses - 1 gota/kg de 6/6 horas (criança)
20 a 40 gotas de 6/6 horas (adulto)
comprimido de paracetamol 500 a 750 mg de 6/6 horas
comprimido de dipirona 500 mg de 6/6 horas
2- náuseas e vômitos :
metoclopramida 1 gota/kg de 8/8 horas (criança)
(plasil) 1 comprimido de 10mg de 8/8 horas (adulto)
bromoprida 1 gota/kg de 8/8 horas (criança)
(digesan) 1 comprimido de 10 mg de 8/8 horas (adulto)
alizaprida 4 gotas/kg de 8/8 horas (criança)
(superan) 1 comprimido de 50 mg de 8/8 horas (adulto)
3- prurido:
dextroclorofeniramina suspensão: 2,5 ml de 8/8 horas (criança)
(polaramine) 5 ml de 6/6 horas (adulto)
comprimido: 2mg de 6/6 horas (adulto)
citirizina
(zyrtec) comprimido: 10mg 1comprimido/dia (adulto)
4 - dor que não responde a tratamento (ítem 1):
ácido mefenâmico (ponstan)
comprimido 500mg de 6/6 horas (adulto)
fosfato de codeína (tylex) comprimido 7,5mg de 6/6 horas (adulto)
Pacientes que tenham passado de úlcera ou gastrite deveriam receber tratamento profilático com antagonistas dos receptores H2 da histamina-Ranitidina (antak, label, zylium) ou, cimetidina (tagamet) ou com inibidores da bomba de prótons-Pantoprazol (pantozol), associado ou não a antiácidos.
TRATAMENTO – O QUE NÃO DEVE SER FEITO
SORO GLICOSADO À 5% NÃO DEVE SER USADO SOB O RISCO DE SE AGRAVAR A HIPONATREMIA.
ANTINFLAMATÓRIOS NÃO DEVEM SER RECEITADOS UMA VEZ QUE A ARTRALGIA DO DENGUE NÃO RESPONDE A ESTA MEDICAÇÃO E PODEM AUMENTAR O RISCO DE APARECIMENTO OU AGRAVAMENTO DE SANGRAMENTO LOCAL OU DIGESTIVO.
NÃO SÃO RECOMENDADOS OS SALICILATOS PORQUE PODEM CAUSAR SANGRAMENTOS E ACIDOSE.
Perguntas mais frequentes sobre Dengue
Quais são os sintomas da dengue?
Febre, dores de cabeça, dores nas articulações, fraqueza, falta de apetite, manchas avermelhadas na pele, coceira no corpo atingindo também palmas das mãos e plantas dos pés, pequenos sangramentos de nariz ou gengivas, náuseas, vômitos, diarréia, dor abdominal, tonturas ao sentar ou levantar; vertigem, sonolência, torpor, confusão mental, convulsões, coma, pré-choque caracterizado por queda de pressão arterial com tendência a pressão convergente, diminuição ou ausência do fluxo urinário, muito suor, frieza de extremidades; pulso fraco ou imperceptível.
Quais as medicações que podem ser tomadas no caso de dengue?
O paciente deve se manter bem hidratado, ingerindo muito líquido (água, sucos, sopas). Pode tomar o paracetamol para aliviar dores e febre. O ideal é procurar atendimento médico. Não deve tomar nenhum medicamento que contenha ácido acetilsalicílico.
Onde buscar atendimento?
No posto de saúde ou hospital mais próximo de sua residência.
Para que telefone ligar para denunciar possíveis focos?
Tele-Dengue: 2575-0007
Quais os locais onde podemos encontrar focos do mosquito?
Em qualquer local que possa juntar água limpa e parada: pratos de vasos de plantas, caixas d'água mal tampadas, latas, garrafas, plásticos, cacos, pneus, piscinas sem tratamento da água, calhas, etc.
O que se recomenda às pessoas que estão com os sintomas da doença?
O principal é procurar atendimento médico. Além disso, é importante fazer repouso e iniciar a hidratação o mais rápido possível, bebendo muito líquido, incluindo soro caseiro.
Qual o tempo de incubação do vírus?
De três a quinze dias, em média 5 a 7 dias.
É verdade que o mosquito da dengue só ataca durante o dia?
Sim. O Aedes aegypti é diurno e gosta de calor, umidade e água limpa e parada.
Qual é o raio de vôo do mosquito?
De 300 a 1000 metros
Em que parte do corpo ele ataca?
O mosquito ataca mais nas pernas, mas pode picar qualquer parte descoberta do corpo.
Velas de citronela ou andiroba e repelentes ajudam a evitar a dengue?
São paliativos, que não eliminam o mosquito e o mantêm distante por algum tempo. As velas têm raio de alcance restrito. Os repelentes possuem duração de proteção limitada.
Quais os sinais que podem alertar para uma evolução mais grave da doença?
Sangramento, tontura ao sentar ou levantar, dor abdominal e vômito. Neste caso procurar
imediatamente um serviço de emergência.
As pessoas acima de 60 anos e com doenças crônicas associadas ou aquelas que já tiveram dengue anteriormente devem procurar atendimento médico às primeiras manifestações suspeitas de dengue.
Todo mosquito Aedes aegypti tem o vírus da dengue?
Não. Ele se torna portador do vírus ao picar alguém contaminado. As fêmeas podem passar o vírus para seus ovos, gerando mosquitos que já nascem contaminados. O Aedes portador do vírus contamina toda pessoa picada que pode ou não desenvolver a doença aparente.
Quanto tempo vive um Aedes?
O período de vida é, em média, de trinta dias.
Quem já teve dengue está imune a contraí-la?
Não. Há quatro tipos de dengue. O paciente só fica imune ao tipo que produziu a infecção.
Como diferenciar a dengue de outras viroses?
Só com o exame de sangue específico.
O perigo maior é em casa ou na rua?
Em casa. Calcula-se que 90% dos focos do mosquito sejam domésticos.
O fumacê resolve o problema?
Não, mas ajuda. Ele mata parte dos mosquitos adultos na área de aplicação da fumaça, mas seu efeito é de três horas.
Como evitar focos de mosquito nas plantas?
Coloque areia no prato ou troque a água uma vez por semana. Mas não basta esvaziar o recipiente. É preciso esfregá-lo, para retirar os ovos do mosquito depositados na superfície da parede interna, pouco acima do nível da água. O mesmo vale para qualquer recipiente com água.
Além dos vasos de plantas, que outros possíveis focos devem ser combatidos?
Pneus velhos devem ser furados e guardados com cobertura ou recolhidos pela limpeza pública. Garrafas pet e outros recipientes vazios também devem ser entregues à limpeza pública. Vasos e baldes vazios devem ser colocados de boca para baixo. Limpe diariamente as cubas de bebedouros de água mineral e de água comum. Seque as áreas que acumulem águas de chuva. Tampe as caixas d'água.
Bibliografia:
1- Manual de Dengue-Vigilância Epidemiológica e Atenção ao Doente MS 1996.
2- Material para Acompanhamento a Pacientes com Dengue
- Material Produzidono Curso de Capacitação de Profissionais de Referência
nos Sistemas Locais de Saúde Fundação Municipal de Saúde, Prefeitura de
Niterói.
|